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sábado, 13 de novembro de 2010

A Imprensa e a Política no Brasil

Na minha opinião a imprensa sempre teve e terá um papel importantíssimo nas sociedades democráticas e principalmente nas ditatoriais. No meu entender ela deveria ser um veículo de informação, divulgação, esclarecimento e contribuir na formação de uma sociedade justa e saudável do ponto de vista intelectual. 

O que acabei de dizer acima não é uma utopia, e pode vir a ser real! Mas para isto acontecer serão necessárias alterações profundas na consciência dos proprietários dos meios de comunicação, dos profissionais que actuam nestas áreas e também, é claro, do povo.
  
Já que vivemos numa democracia, uma das funções básica da imprensa deveria ser justamente ajudar a sociedade a entender, de forma clara, a importância e o verdadeiro sentido da democracia nas nossas vidas. Esclarecer quais são os direitos e deveres dos cidadãos. No entanto, parece-me que as elites dominantes encaram isto como um factor perigoso e evitam o fazer pois, esclarecer significa dividir e dividir é extremamente doloroso para elas – as elites.

Aceito perfeitamente o direito da imprensa de investigar e, após constatar a veracidade dos factos, divulga-los.
  
Assim como não aceito a intervenção do estado nos órgãos de comunicação também não aceito que a imprensa vasculhe a vida íntima das pessoas e de seus familiares, sejam elas públicas ou não, apenas no intuito de criar um facto polémico que “justifique” a sua intervenção. O que temos visto é que embora haja um órgão regulador, este parece estar sempre comprometido com um lados da balança.

No fundo, a imprensa em geral, por conveniência, mistura isto tudo e arroga para si o direito de investigas, acusar, julgar e condenar a qualquer custo, seja quem for, principalmente se não compactue com os seus interesses. Ela está constantemente a lembrar-nos de que vivemos numa democracia e por assim ser têm o direito de dizer o que bem entende e lhe apetece. Quando raramente reconhece - por meio da justiça legal - o seu erro, disponibiliza uma ínfima parte do tempo de antena/espaço para a defesa do indivíduo prejudicado sem levar em conta todos os prejuízos imputado ao mesmo. Mas numa sociedade justa e democrática quem investiga, julga, absolve ou condena é o poder judiciário.

Não é necessário ser um intelectual para constatar estas atitudes na imprensa brasileira, basta ver a postura com que ela se coloca diante dos diversos partidos políticos. Já verificaram a dualidade de critérios com que ela divulga ou omite os factos , como as fotografias/imagem são tiradas de ângulos diferentes no intuito de beneficiar ou prejudicar, dependendo dos seus intervenientes?

Um facto que me fez impressão foi saber que um jornal de São Paulo divulgou o seu apoio a um determinado candidato/partido. Os proprietários dos veículos de comunicação, enquanto cidadãos, tem todo o direito de expressar o desejo de votar seja em quem for, mas não sou a favor de que utilizem o seu jornal, rádio ou televisão para o colocar a favor deste ou daquele partido ou político, seja ele quem for. Se assim o fizer estará a dizer claramente a sociedade de que tem interesses pessoais com os políticos deste partido e que deseja influencia-la no sentido de angariar votos para beneficiar o tal partido. Com isto declara também que um de seus objectivos é transformar a imprensa num partido político para cuidar dos seus próprios interesses.

Não sou inocente e sei perfeitamente que um jornal hoje em dia é na verdade uma empresa e que para sobreviver e manter os postos de trabalho de quem lá trabalha tem de vender o seu produto, mas descartar os seus principais fundamentos (verdade, integridade e imparcialidade…) e ser capaz de utilizar qualquer tipo de subterfúgios, é demais! Podemos constatar isto de várias formas e, como exemplo básico cito o futebol fazendo a seguinte pergunta: por que divulgam tanto os “grandes” clubes e esquecem-se dos “pequenos”? O esporte é composto por diversas outras modalidades, mas quase não há espaço na mídia para elas.

Por que o crime, a violência, a nudez e tantas outras coisas horríveis são estampadas nas primeiras páginas dos jornais e nos telejornais em detrimento de coisas que também são muito importantes? Porque o que lhes interessa é apenas vender o seu produto, mesmo que no fundo tenham a plena consciência da péssima qualidade do mesmo. No fundo, a impressão com que fico é a de que o importante é não esclarecer e sim manter a sociedade desinformada.

É assim que funciona a imprensa no Brasil. E este, além de muitos outros, e apesar do desenvolvimento económico verificado nos últimos anos e reconhecido principalmente no exterior, é um dos motivos pelo qual o Brasil é considerado ainda hoje como um pais do terceiro mundo!

Como brasileiro que sou deixo-vos uma pergunta: que tipo de imprensa queremos ter no nosso querido Brasil?

Boa reflexão e até breve! :-)

Albino Moura

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