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sexta-feira, 1 de julho de 2011

A Eterna Torre de Babel





A narrativa bíblica contida no Géneses diz que o homem iniciou a construção de uma torre cujo objectivo era o de alcançar o céu na intenção de chegar a Deus. Conforme a torre crescia alguns homens vislumbraram a hipótese de também eles serem deuses. Verificando a intenção dos homens, Deus destruiu a torre e castigou-os de forma que falassem línguas diferentes e com isto nunca mais se entendessem. Genesis 11 : 4-9


Por diversas vezes sinto-me como se fosse um extraterrestre a observar a tudo o que vem acontecendo neste nosso mundo.

Pedofilia

Instituições que deveriam ser consideradas e estimadas como pilares da sociedade estão a ser ridicularizadas e destruídas. Como podemos admitir que padres, professores(as), pais e mães… profanem o corpo de crianças que são na sua essência a mais pura expressão de verdadeiros anjos? Como podemos permitir que uma criança seja ela branca, negra, amarela… Ocidental ou Oriental… possa estar a viver sem as mínimas condições e muitas delas a viverem nas ruas das “grandes cidades” mundiais a comer restos de comida já deteriorada, recolhida nos contentores de lixo?

Catástrofes

Como se não nos bastassem as catástrofes naturais, resolvemos criar as nossas também, Tudo em nome de uma suposta evolução. Somos todos capazes de constatar a evolução obtida pelo ser humano no último século. Realmente verificasse uma evolução espantosa em diversas áreas da actividade humana, mas questiono-me a que futuro nos levará e qual o custo a pagar para alcançamos tudo isto e se compensará.

Genocídios

Como podemos aceitar, quase que passivamente ou como se estivéssemos anestesiados, aos verdadeiros genocídios perpetrados contra minorias étnicas quando a terra pertence a todo o ser humano independente da sua raça, cor da pele, religião... Sei que corro o risco de ser rotulado de inocente, lunático e quem sabe até muito pior que isto. Mas aceito o direito de cada um pensar o que bem entender a este respeito, embora não concorde com este estado de coisas.

Guerras civis

Como podemos conceber que um militar acate a uma ordem imbecil do seu “superior” para atirar contra o seu próprio pai, irmão ou amigo de infância apenas pelo fato destes serem civis e estarem a reivindicar os seus direitos? Isto me faz recordar uma passagem colocada por Richard Bach no seu livro intitulado “UM”. É mais do que hora para os militares subalternos se apercebam de que a dor na consciência ficará, até ao fim da vida, na mente daquele que apertar o gatilho e não no subconsciente daquele que emite a ordem, pois este estará tranquilamente protegido dentro de um confortável gabinete muito distante do local onde se desenvolve o verdadeiro drama.

Como pai de família (outra das instituições cada vez mais ignorada e usurpada), pai de duas meninas lindas, e de ter como parceira e amiga uma esposa extremamente dedicada, querida e amorosa, não poderia deixar de preocupar-me com tudo isto. Como sita uma passagem Bíblica que diz mais ou menos o seguinte: Onde colocarmos as nossas preocupações ali estará o nosso tesouro! (?)

Uma das interrogações que mais nos assombra é tentar perceber em que mundo terão elas que sobreviver. Que tipo de educação devemos dar-lhes? Como podemos ensiná-las a respeitar o seu semelhante quando vemos a grande maioria dos outros pais a ensinar e a incentivar os seus filhos que devem se colocar acima de tudo e de todos, custe o que custar. Um mundo em que a televisão - como já tive a oportunidade de dizer em outro texto - através de seriados extremamente ridículos, valoriza a beleza exterior e ignora a interior, valoriza a ostentação do poder e da riqueza e ignora a partilha, partilha esta que deveria ser constantemente incentivada, independentemente das circunstâncias. A verdade é que a mídia/média, por diversos fatores e interesses, valoriza a hipocrisia e ignora os verdadeiros valores.

Sei perfeitamente que posso estar a parecer amargurado, mas não é este o caso. A verdade é que percebo perfeitamente que a inversão dos valores vem transformando a evolução humana numa verdadeira Torre de Babel. E isto evidencia-se nos temas dos primeiros parágrafos deste texto, e o reflexo disto é o “efeito dominó” que parece estar a acontecer neste momento nos países governados por verdadeiros ditadores, como é o caso de países como a Tunísia, o Egito e da Líbia, mas cuja consciência colectiva despertou para a realidade e aperceberam-se da verdadeira força que possuíam mas que estava amordaçada pelos anos de repressão. Segundo alguns especialistas acreditam, isto não ficará por aqui.

Não poderia terminar este texto sem elogiar a atitude do exército Egípcio que soube fazer a leitura correcta dos factos e compreender que devia subserviência ao governo da altura mas sem, com isto, por em causa a integridade física do seu próprio povo.

Ficarei por aqui desejando-vos uma boa reflexão!

Um abraço de carne e osso e até a próxima.