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quarta-feira, 17 de novembro de 2010

“ELITE”

Hoje falarei mais uma única vez sobre as elites e prometo me esforçar para não cair na tentação de voltar a fazê-lo.

Utilizarei, desta vez, um método que virou moda e vem sendo muito utilizado  ultimamente, mas que é muito interessante. Este método chama-se Método da Cebola. Parece-me que surgiu com da exibição do primeiro filme do “SHREK”, lembram-se?

Então vamos a isso!

Vamos imaginar que a sociedade, como um todo, é como um grande campo de cebolas e que cada cebola representa uma faixa da sociedade.

Para não entrarmo-nos em grandes conjecturas vamos falar apenas dos extremos da nossa sociedade.

Sabemos que as cebolas são compostas por camadas e assim também podemos imaginar a sociedade, em camadas. Por isso, tanto a faixa mais humilde, como a faixa mais alta, são compostas por camadas.

Nas camadas mais interiores assim como nas camadas mais exteriores, tanto das cebolas como da sociedade, existem zonas agradáveis e desagradáveis. Nas cebolas, as camadas mais interiores saboreamos com prazer, mas as camadas mais exteriores são “intragáveis” e normalmente as descartamos. Mesmo assim há quem as utilizem para fazer chá e dizem que é muito bom para aliviar a tosse e a rouquidão!

Mas agora vamos falar a sério. É maravilhoso podermos partilhar momentos agradáveis com as camadas mais saborosas tanto da faixa dos excluídos como da faixa da elite. Eu mesmo tenho amigos destas duas faixas da sociedade e, portanto, já tive a oportunidade de estar tanto num ambiente como no outro e guardo estes momentos com muito carinho.

Alguns concordarão comigo e até dirão que ficou muito por dizer, mas outros discordarão totalmente e perguntaram como alguém consegue ver algo de agradável nas pessoas que vivem em casas humilde ou em favelas. Creio que seja uma questão de sensibilidade.

Não me considero preconceituoso e muito menos xenófobo. O que desejo é poder fazer parte de uma sociedade mais justa e livre de estigmas. Desejo viver num mundo onde as pessoas se respeitem mutuamente e se preocupem umas com as outras. Onde as necessidade sejam as mínimas para todos.

Vivemos num mundo onde toneladas e toneladas de alimentos apodrecem diariamente  nos armazéns e nos contentores de lixo dos restaurantes das grandes cidades, enquanto milhões e milhões de seres humanos, entre os quais milhares de crianças, passam fome e acabam por morrer e só alguns não querem ver isto. Vivemos num mundo onde, com raras excepções, quem detém o poder utiliza todos os recursos disponíveis em benefício da camada que representa, ignorando totalmente os menos favorecidos.

O que me incomoda é ver a hipocrisia de uma faixa da elite que governou o Brasil (mas que tem vergonha de assumir a sua nacionalidade quando se deslocam ao exterior) a imputar as responsabilidades pelas favelas, marginalidade, analfabetismo (consequência da má gestão e da péssima qualidade do ensino público que vem de muitos anos), ao actual governo.

Um dia desses li o texto que uma senhora “postou” no blogue do Ricardo Noblat onde criticava o actual Ministro das Relações Exteriores do Brasil, Sr. Celso Amorim, referindo-se a uma frase do mesmo que dizia o seguinte: “agora o Brasil não fica mais descalço para ninguém. Seguindo o roteiro do “Nosso Guia” que vira e mexe vinha com essa história”. O “Nosso Mestre” – a que ela se refere - é o Lula!

Para aqueles que não se recordam, esta frase surgiu devido ao facto do ex-ministro Celso Lafer (governo FHC) ter sido revistado e inclusive obrigado a se descalçar diante de todos no aeroporto, ao entrar nos Estados Unidos, logo após o fatídico 11 de Setembro. Mas esta senhora acha isto tudo muito normal e até elogia a subserviência do ex-ministro e do governo da altura (FHC). Eu entendo a postura do governo americano e do nosso ex-ministro, mas eu gostaria de saber se os ministros europeus tiveram o mesmo tratamento por parte das autoridades americanas e qual seria a reação desta senhora se este facto tivesse ocorrido com o actual ministro. Não quero dizer, com isto, que o ministro deveria ter outro tipo de atitude na altura, mas posteriormente a chancelaria brasileira deveria ter demonstrado o seu total desagrado com o ocorrido, o que me parece não o ter feito. Esta senhora, a quem respeito como ser humano, deve fazer parte da casca mais exterior da cebola chamada elite ou então está a servir de testa-de-ferro da mesma.

O perigo disto tudo é que se as camadas mais exteriores da cebola forem muito secas, impedem que o ar circule livremente entre as camadas mais  interiores causando, com isto, o apodrecimento geral da cebola!

Não levem isto muito a sério pois são apenas reflexões de alguém que faz parte de uma camada da cebola que não é a mais exterior e nem tanto interior, por enquanto.

Um grande abraço e até a volta, se não me atirarem cebolas para cima. Mas se isto ocorrer peço a gentileza de atirarem também alguns tomates, rabanetes, pepinos… pois servem para fazer uma óptima salada!

Até a próxima

Albino O. Moura

sábado, 13 de novembro de 2010

A Imprensa e a Política no Brasil

Na minha opinião a imprensa sempre teve e terá um papel importantíssimo nas sociedades democráticas e principalmente nas ditatoriais. No meu entender ela deveria ser um veículo de informação, divulgação, esclarecimento e contribuir na formação de uma sociedade justa e saudável do ponto de vista intelectual. 

O que acabei de dizer acima não é uma utopia, e pode vir a ser real! Mas para isto acontecer serão necessárias alterações profundas na consciência dos proprietários dos meios de comunicação, dos profissionais que actuam nestas áreas e também, é claro, do povo.
  
Já que vivemos numa democracia, uma das funções básica da imprensa deveria ser justamente ajudar a sociedade a entender, de forma clara, a importância e o verdadeiro sentido da democracia nas nossas vidas. Esclarecer quais são os direitos e deveres dos cidadãos. No entanto, parece-me que as elites dominantes encaram isto como um factor perigoso e evitam o fazer pois, esclarecer significa dividir e dividir é extremamente doloroso para elas – as elites.

Aceito perfeitamente o direito da imprensa de investigar e, após constatar a veracidade dos factos, divulga-los.
  
Assim como não aceito a intervenção do estado nos órgãos de comunicação também não aceito que a imprensa vasculhe a vida íntima das pessoas e de seus familiares, sejam elas públicas ou não, apenas no intuito de criar um facto polémico que “justifique” a sua intervenção. O que temos visto é que embora haja um órgão regulador, este parece estar sempre comprometido com um lados da balança.

No fundo, a imprensa em geral, por conveniência, mistura isto tudo e arroga para si o direito de investigas, acusar, julgar e condenar a qualquer custo, seja quem for, principalmente se não compactue com os seus interesses. Ela está constantemente a lembrar-nos de que vivemos numa democracia e por assim ser têm o direito de dizer o que bem entende e lhe apetece. Quando raramente reconhece - por meio da justiça legal - o seu erro, disponibiliza uma ínfima parte do tempo de antena/espaço para a defesa do indivíduo prejudicado sem levar em conta todos os prejuízos imputado ao mesmo. Mas numa sociedade justa e democrática quem investiga, julga, absolve ou condena é o poder judiciário.

Não é necessário ser um intelectual para constatar estas atitudes na imprensa brasileira, basta ver a postura com que ela se coloca diante dos diversos partidos políticos. Já verificaram a dualidade de critérios com que ela divulga ou omite os factos , como as fotografias/imagem são tiradas de ângulos diferentes no intuito de beneficiar ou prejudicar, dependendo dos seus intervenientes?

Um facto que me fez impressão foi saber que um jornal de São Paulo divulgou o seu apoio a um determinado candidato/partido. Os proprietários dos veículos de comunicação, enquanto cidadãos, tem todo o direito de expressar o desejo de votar seja em quem for, mas não sou a favor de que utilizem o seu jornal, rádio ou televisão para o colocar a favor deste ou daquele partido ou político, seja ele quem for. Se assim o fizer estará a dizer claramente a sociedade de que tem interesses pessoais com os políticos deste partido e que deseja influencia-la no sentido de angariar votos para beneficiar o tal partido. Com isto declara também que um de seus objectivos é transformar a imprensa num partido político para cuidar dos seus próprios interesses.

Não sou inocente e sei perfeitamente que um jornal hoje em dia é na verdade uma empresa e que para sobreviver e manter os postos de trabalho de quem lá trabalha tem de vender o seu produto, mas descartar os seus principais fundamentos (verdade, integridade e imparcialidade…) e ser capaz de utilizar qualquer tipo de subterfúgios, é demais! Podemos constatar isto de várias formas e, como exemplo básico cito o futebol fazendo a seguinte pergunta: por que divulgam tanto os “grandes” clubes e esquecem-se dos “pequenos”? O esporte é composto por diversas outras modalidades, mas quase não há espaço na mídia para elas.

Por que o crime, a violência, a nudez e tantas outras coisas horríveis são estampadas nas primeiras páginas dos jornais e nos telejornais em detrimento de coisas que também são muito importantes? Porque o que lhes interessa é apenas vender o seu produto, mesmo que no fundo tenham a plena consciência da péssima qualidade do mesmo. No fundo, a impressão com que fico é a de que o importante é não esclarecer e sim manter a sociedade desinformada.

É assim que funciona a imprensa no Brasil. E este, além de muitos outros, e apesar do desenvolvimento económico verificado nos últimos anos e reconhecido principalmente no exterior, é um dos motivos pelo qual o Brasil é considerado ainda hoje como um pais do terceiro mundo!

Como brasileiro que sou deixo-vos uma pergunta: que tipo de imprensa queremos ter no nosso querido Brasil?

Boa reflexão e até breve! :-)

Albino Moura

Esclarecimentos

Neste momento em que inicio a minha participação no “mundo” BLOG. Gostaria de deixa bem claro que a minha única intenção é expor as minhas opiniões pessoais como cidadão do mundo e não tenho nenhuma pretensão de transformar esta ferramenta num instrumento de influência ou manipulação da opinião daqueles que desejarem participar ou simplesmente visitarem este BLOG. Desejo no máximo contribuir no sentido de gerar o interesse na reflexão dos temas que aqui serão apresentados.
  
Este BLOG não tratará de um tema específico, pois desejo ter a liberdade de poder tratar dos mais variados assuntos com liberdade.


Desejo, desde já, pedir desculpas pelos prováveis erros ortográficos, gramaticais... Peço ainda que me corrijam quando isto ocorrer, pois acredito que esta é mais uma das finalidades desta ferramenta, partilhar conhecimentos, experiências...

Acredito que muitas das pessoas que utilizam os BLOG´s não se tenha apercebido do carácter intrínseco nesta ferramenta e gostaria de colocar um dos exemplos que para mim é de extrema relevância: até hoje, nós pobres mortais, só tínhamos o direito de ler, ver e ouvir o que os profissionais da mídia nos transmitiam, sendo verdade ou não. Com esta ferramenta foram partidos os grilhões que nos atavam e passamos a ter a liberdade de expor as nossas próprias opiniões. No entanto, sem querer gerar qualquer tipo de polémica, já me apercebi de que algumas pessoas extrapolam e acabam por ferir as suscetibilidades de terceiros a partir do momento em que ultrapassam os limites do bom censo.


Sejam bem-vindos a esta nau! Desejo-vos uma boa viagem, serena, tranquila e que desfrutem de belas paisagens.

Grato pela vossa companhia.

Albino O. Moura