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sábado, 25 de dezembro de 2010

"Vendedor de Sonhos"

Em termos musicais, considero-me extremamente eclético. Embora reconhecendo que gosto é uma coisa que não se discute, desde que seja de boa qualidade, sou capaz de curtir [saborear] todo e qualquer estilo musical, embora nutrindo um carinho especial pela nossa música popular brasileira. Gosto de ouvir tanto a música clássica (em absoluto silêncio e se for ao vivo melhor ainda!), New Age, Rock (em volume razoavelmente alto), Bossa Nova, Samba, Sertaneja (da terra), Fado, e inclusive músicas folclóricas, não só brasileira mas também, portuguesa, italiana, russa… Enfim, mundial.

Acredito que em tudo na vida é necessário termos um tom crítico, sem no entanto sermos radicais. Por este motivo gosto de ouvir tudo o que me soe bem aos ouvidos e ao espírito. Enquanto ouço vou analisando a sua letra, passando pela harmonia musical e afinação do seu intérprete.

Por este motivo gostaria de vos indicar aquele que, no meu entender, é um dos maiores expoentes da música popular do Brasil.

O Milton nasceu no Rio de Janeiro (26 de Outubro de 1942), filho de Maria do Carmo Nascimento, uma empregada doméstica. No entanto e por passar toda a sua infância na cidade de Três Pontas (Cidade do interior do Estado de Minas Gerais), considera-se Mineiro de coração. A realidade da sua infância confundisse com a de muitas outras crianças espalhadas por todo o mundo. Adoptado por uma família de aparência branca mas desprovida de qualquer preconceitos raciais (associado a cor da pele) existente no Brasil de forma camuflada. Segundo ele próprio, seus irmãos afectivos jamais o trataram com a indiferencia ou o preconceito tantas vezes encontrada nas ruas da sua cidade. Para se dirigirem a ele, seus amigos de infância, ainda hoje utilizam o apelido [alcunha] de Bituca, atribuída de forma carinhosa no seio da família adoptiva.

Tornou-se conhecido nacionalmente, no Brasil, após conquistar o segundo lugar no Festival Internacional da Canção de 1967, com a canção "Travessia", composta por ele e Fernando Brant. Ganhou o Grammy de Best World Music Album in 1997. Foi nomeado novamente para o Grammy em 1991 e 1995. Milton já se apresentou na América do Sul, América do Norte, Europa, Ásia e África.

Milton Nascimento é actualmente uma personalidade incontornável na música Brasileira.

Nunca antes um outro artista cantou e contou a verdadeira história, tantas vezes omitida pela comunicação social, deste povo que ele tanto admira; faz parte e que jamais ignorou. Para além da qualidade impar da sua voz magnífica, a sua imagem caracteristicamente serena transmite-me uma paz profunda. Do seu olhar ingênuo emana uma bondade quase maternal. Mas há duas características no Milton que me agradam imenso. Uma delas é a sua simplicidade e a outra o seu sorriso. Sorriso que só os lábios dos negros conseguem emitir.

Abaixo pode-se assistir o encontro de Milton Nascimento com Paul Simon num show nos EUA.

Prestem atenção na harmonia e na letra desta canção cuja profundidade tocou o espírito e a sensibilidade de diversos artistas internacionalmente famosos, a ponto de encontrarmos vários vídeos, no YOUTUB, com a participação dos mesmos.

Espero que gostem, e até já!

Albino de Oliveira Moura


Simon & Garfunkel - Sound Of Silence

domingo, 19 de dezembro de 2010

Reflexão para a Noite de Natal



Reflexão
 
Ao acompanhar a minha filha de 10 anos que participava da festa de preparação para o Natal, dos alunos da Catequese deste ano, que teve lugar na Paróquia de Eiras em Coimbra, ouvi a narração de uma história que, apesar de muito simples, carregava consigo um significado muitíssimo interessante.

Em primeiro lugar quero pedir desculpas por estar a utilizar esta imagem e este texto e não me recordar do nome do seu autor.

A história descreve a preocupação de uma mãe com sua filha diante da realidade, nua e crua da vida, que inevitavelmente a mesma teria um dia de enfrentar e que dizia mais ou menos assim:

Para auxiliá-la na tarefa de esclarecer a filha a mãe recolhe uma cenoura, um ovo e alguns grãos de café e pede a filha para que preparasse uma panela com água e a pusesse ao lume. Logo após a água começar a ferver a mãe diz a filha para introduzir todos os ingredientes de uma só vez na panela para cozer. Após constatar que estava tudo bem cozido, solicita-a que retire a panela do fogo e que analise quais as transformações ocorridas com cada elemento que lá estavam. Então a filha, após uma breve análise, repara que a cenoura que antes era rija agora estava macia, o ovo que antes necessitava de sua casca agora poderia dispensá-la e que os grãos de café que antes eram quase incipientes agora exalavam o seu agradável aroma pelo ar.

Então a mãe passou a explicar que assim como cada um daqueles elementos da natureza, também nós seres humanos sofremos transformações profundas e importantíssimas ao longo das nossas vidas. Podemos passar de duros a extremamente moles diante das adversidades. Podemos nos libertar da casca que nos protege mas corremos o risco de nos transformar em pessoas extremamente duras e arrogantes para com os nossos semelhantes. Ou podemos simplesmente crescer e envolver os nossos irmãos e amigos com o perfume que só com a simplicidade, o respeito, a caridade e o amor podem exalar.  

No fundo este texto nos questiona em que tipo de seres humanos desejamos nos transformar.

Um Santo e Feliz Natal para todos!

Boa reflexão e até já!

Albino Moura