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domingo, 27 de fevereiro de 2011

“Admirável Gado Novo”

Antes de mais gostaria de pedir àqueles que desejarem fazer esta reflexão, para que não deixem de assistir o vídeo (copiado do YOUTUBE) que apresento no final deste texto. Este vídeo ilustra bem o que descrevo abaixo.

Como cidadão que acompanha normalmente os noticiários, preocupado com o rumo que as sociedades estão a tomar, além de ser bastante crítico, tanto com os políticos como com os meios de comunicação/jornalistas, tenho um compromisso para comigo próprio, a honestidade.

Não posso deixar de compreender que a politica tem diversas nuances. Na politica, como nos relacionamentos interpessoais, muitas vezes e por mais que nos incomode, há sempre a necessidade de estarmos ao lado e até apertar a mão de pessoas sem o mínimo de escrúpulos. Engolir sapos, como diz o ditado popular. Compreendo perfeitamente que os líderes mundiais, por razões administrativas e protocolares tenham que posar para os repórteres e câmaras de televisão - ávidos pelos possíveis furos de reportagem - ao lado de ditadores tiranos e cruéis, como é o caso do líder líbio, Muammar Kadhafi. E é exactamente aí que eu critico os jornalistas e os meios de comunicação quando se utilizam destes mesmos momentos para manipular as massas. É muito fácil estarmos confortavelmente sentadinhos nos nossos sofás, a criticar os nossos governantes por posarem ao lado de tiranos. Mas quando falta a matéria-prima, extremamente necessária às nossas fábricas, quando falta o “ouro negro” para produzir o combustível para abastecermos os nossos veículos… A primeira coisa que fazemos é exactamente apontar o dedo aos nossos governantes acusando-os de não saberem dialogar com tiranos cujo único poder de dissuasão é o facto de, nos seus países, existir o tão cobiçado petróleo, o gás natural, os diamantes, a madeira, enfim, tudo o que necessitamos.

Proponho que se faça um exercício muito importante e que pessoalmente gosto de o fazer. Antes de lançarmos críticas a quem quer que seja, devemos nos colocar na posição destes e avaliarmos (sem ignorarmos as consequências das nossas decisões para o ser humano, independentemente da sua origem) o que é mais importante: Devemos manter as nossas fábricas a funcionar, e com isto mantermos os postos de trabalho e consequentemente o pão nas nossas mesas, ou devemos nos negar (seja por ideologia política, orgulho, preconceito ou por receio de como a imprensa poderá utilizar posteriormente estas mesmas imagens ou discursos) a apertar a mão de representantes de outros povos, sejam eles verdadeiros líderes, manipuladores ou ditadores tiranos?

Ouço, com frequência, dizerem que o problema está nos povos destes países por não saberem escolher os seus líderes, mas o que acontece nos países tidos como evoluídos culturalmente e democráticos? Sinceramente não vejo muitas diferenças.

Na minha opinião a única diferença está na forma de como as massas são manipuladas!

Como exemplo vejam a qualidade dos nossos programas de televisão: Domingão do Faustão, O melhor do Brasil (um verdadeiro atentado. O Brasil é lindo, e o nosso povo tem muito mais à mostrar do que isto!). O BIG BROTHER BRASIL já está na sua 11ª edição e até em alguns jornais há uma coluna diária para comentar aquele festival de besteiras. Aqui em Portugal, após a 2ª edição deste mesmo programa - se não me falha a memória - foi maquiado (maquilhado), tomando diversas formas, como por exemplo a Quinta dos Famosos e outros mais.

Querem saber porque não há bons programas para divertimento com fins educativo na televisão brasileira? Pura e simplesmente porque isto esclareceria o povo, o que não convém a alguns. Não estou a me referir apenas aos políticos, mas principalmente aos meios de comunicação de massa que passam a vida a acusar o governo pela falta de investimento na cultura, quando eles próprios não o fazem. Além da escola é claro, existem outros veículos mais eficazes e vocacionados para difundir a cultura do que os jornais, o rádio e principalmente a televisão?

Não posso deixar de reconhecer que, aqui em Portugal, apesar de tudo, ainda há muita gente boa a tentar criar ou mesmo copiar uma programação de boa qualidade.

Há muito à fazer. E temos que começar por nós próprios! É necessário dizer basta a tudo isto. Temos que mostrar que estamos fartos e que não queremos mais que despejem esse lixo nas nossas casas. Diariamente é despejado imenso volume de desinformação até mesmo nos telejornais. Lixo! É isto mesmo, puro lixo, o que despejam, nas nossas salas, quartos e cozinhas, as emissoras de televisão. Estamos a permitir que nos manipulem. E o que é pior, estamos a permitir que manipulem aos nossos próprios filhos também. Foi assim que nos tornamos parte desta imensa massa inabilitada a perceber que estávamos a ser utilizados. Se não fizermos urgentemente algo para alterar este estado de coisas, também eles farão parte desta mesma massa, disforme e sem rumo definido.

Antes de mais, é necessário que haja uma revolução pessoal. Sem ela não haverá revolução social, pacífica, contra os manipuladores e ditadores tiranos!

Boa reflexão e até já.

Albino Moura